Aquele que habita o meu coração (Só na guerra, à deriva pelo mundo)
Dez anos atrás, um jovem universitário absolutamente comum, consumido pela dor lancinante de um primeiro amor fracassado, começou a escrever despretensiosamente na internet, na esperança de suavizar as cicatrizes daquela desilusão. Por anos a fio, essa escrita irregular foi seu refúgio, até que, aos poucos, tomou gosto por esse hobby iniciado ao acaso.
Após anos de rabiscos e tentativas, acalentou o desejo de tornar-se escritor profissional—e, a partir de então, não mais conseguiu deter-se. No início de 2008, ingressou formalmente no Qidian, lançando "Desejo nos Três Reinos: Um Só Contra o Mundo" (posteriormente rebatizado como "Crônicas da Sombra Herege"), obra que irrompeu como um trovão, tendo como tema central as guerras sangrentas e a solidão heróica de seu protagonista. Assim, iniciou sua jornada de sonhos.
Escrevendo por dois anos e dez meses, conquistou fama notável na época (especialmente em inúmeros sites piratas), mas... e os rendimentos? Muitos leitores que apoiaram as versões oficiais sabem bem: começou mal conseguindo se sustentar, até que a renda mensal caiu para menos de quinhentos, insuficiente até para as despesas básicas. Foi assim que, resignado, encerrou apressadamente seu primeiro romance após a profissionalização, abrindo mão de sua primeira verdadeira criação. A realidade mostrou-se implacável e cruel. Imagino que muitos leitores compreendem: quando a própria sobrevivência está em risco, todo o resto se torna efêmero, mera ilusão. (A situação familiar do Sombra era, de fato, bastante precária.)
Depois de um período de reflexão, buscou um emprego para garantir a subsistência. Mas jamais abandonou seus sonhos—queria lutar mais uma vez, pois acreditava ainda ser jovem e capaz de perseguir aquilo que desejava.
A realidade, porém, lhe deu lições duras: sonhar não basta para realizar; sonhos não são privilégios de um jovem pobre. Seu segundo romance afundou de modo retumbante, deixando-o sem chão. Admitiu, então, seus próprios equívocos, e passou a buscar uma obra que realmente se adequasse ao seu estilo, ao mercado, ao paladar de seus leitores. O terceiro e o quarto livros seguiram o mesmo destino infeliz: apesar de todo o apoio do site, recomendações e divulgações, a má sorte se abateu sobre ele de todos os lados. Não foi apenas um revés ou outro—foi uma avalanche de infortúnios, que o obrigou a abandonar a escrita. Assim, o terceiro e o quarto romances restaram inacabados.
Dez anos se passaram num piscar de olhos. O jovem inexperiente tornou-se pai, marido, pilar de uma família—o tempo para devaneios havia se esgotado. Mas a resignação não o venceu, pois seu sonho permanecia por cumprir.
Após longa reflexão, decidiu-se: tentaria, pela última vez, perseguir seu sonho. Um último esforço! (Em uma conversa recente ele me confessou: se fracassar, partirá para sempre.)
Foi nesse contexto que "Forjando o Sagrado Trono" foi publicado. A ideia vinha maturando em sua mente há anos, e ele a vinha arquitetando com inquietação e temor—temendo o fracasso, pois já não dispunha de tempo para desperdiçar perseguindo sonhos e desejos não realizados. Afinal, havia uma esposa e um filho a quem sustentar.
Felizmente, você esteve sempre ali, sustentando-o silenciosamente.
Felizmente, você o acompanhou, ajudando-o a construir, passo a passo, a realização de um ideal, de uma perseverança.
Felizmente, graças ao apoio de você, de mim, de todos nós, é que os frutos vieram à luz! (Ainda que não seja um sucesso estrondoso, é digno de orgulho—palavras dele, embora eu discorde.)
Qual é o nosso lema, nós, admiradores do Sombra?
“Nunca desistir, jamais recuar, não conhecer a derrota, avançar sempre!”
Tudo por aquele que persegue há dez anos seus sonhos! Ainda que o futuro seja uma névoa de incertezas, continuo a trilhar este caminho, abrindo minha própria senda, apoiando aquele em quem deposito minha admiração.
Se você também o admira, dê-lhe um pouco de seu apoio!
Na longa jornada sob chuva e vento, a sua companhia é a maior das fortunas! É a sua presença que torna tudo mais belo!
(Não escrevo isto para promover ou persuadir ninguém; escrevo porque admiro o homem, suas obras, a sua determinação. São apenas desabafos pessoais, pensamentos dispersos—se não lhe agradam, sinta-se à vontade para ignorar.)